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10/01/2010 |
As novas dimensões da inovação
A inovação tem sido amplamente reconhecida como o principal fator de competitividade que move a relação entre indivíduos, associações, organizações empresariais e até mesmo países e blocos econômicos.
No âmbito empresarial, a inovação ocorre através da sistematização de iniciativas visando a vinculação entre estratégias de negócio e oportunidades latentes ou explícitas, estruturadas em torno da concepção e implementação de novos serviços, produtos ou processos.
No Brasil, segundo o IPEA, apenas 1.199 empresas, em uma população de mais de 72 mil empresas – ou seja, 1,7% – podem ser consideradas como inovadoras e que diferenciam seus produtos.
Dessa forma é possível afirmar que a grande maioria das empresas brasileiras não tem consciência do processo de inovação e de sua importância.
Em Santa Catarina, a inovação tem sido historicamente um dos pilares da competitividade, evidenciado no setor industrial de Joinville e região. No entanto, é necessário criar uma cultura de inovação que potencialize os esforços dessas empresas.
O desenvolvimento de produtos é a mola propulsora da gestão da inovação, pois se configura como catalisador da criação do conhecimento. O design é um dos eixos do desenvolvimento de produto e pode ser considerado o principal elemento nos mecanismos de inovação. Podemos definir dois campos de percepção que expressam o senso comum sobre a importância do design: o design como impacto visual e o design como usabilidade.
Podemos expandir a definição de design como um processo de pensamento que relaciona demandas de áreas distintas- muitas vezes conflitantes- em produtos e serviços que levam em conta as necessidades humanas, entre elas, a necessidade artística. Podemos também compreender o design a partir das influências do Branding e da Tecnologia.
Há no Brasil uma crescente inserção do design nos nível estratégicos, conforme estudo recente patrocinado pela Programa Brasileiro de Design, vinculado ao ministério da indústria e comércio. No setor automotivo, por exemplo, 54% das empresas participantes na pesquisa colocam o design como atividade que é função chave na estratégia de produtos e mercados. Por outro lado, no de máquinas e equipamentos, 50% das empresas participantes percebem o design como atividade operacional, responsável pela aparência do produto após a conclusão dos estudos de engenharia.
O modelo proposto a seguir pretende impulsionar a discussão sobre os fatores que influenciam a gestão de inovação nesse novo ambiente, através da construção de relações entre áreas de conhecimento distintas e onde o design contribui como forma de pensamento criativo e integrador dessas áreas de conhecimento.
O modelo 6D innovation opera como estrutura de pensamento, onde a forma de pensar do design articula a relação entre sustentabilidade, a filosofia lean aplicada ao desenvolvimento de produtos, a criação coletiva, a inovação aberta e a antroposofia.
O modelo 6D relaciona a antroposofia e a sustentabilidade como forças integradoras capazes de conduzir processos de inovação tendo o desenvolvimento do ser humano como eixo central do pensamento ecológico calcado na interdependência.
O modelo 6D possui dois eixos: um eixo vertical que configura as seis áreas de conhecimento citadas e um eixo horizontal com seis passos que estruturam no tempo a formatação de processos de inovação em uma organização.
Os seis passos são: aliança política, mapeamento do processo atual, benchmarking, mapa de benefícios, redesign e formação de rede.
O modelo 6D, portanto, combina seis áreas de conhecimento e seis passos de implantação de de um processo de inovação, utilizando o design thinking como eixo integrador e criador.
Podemos, então, afirmar que o design pode assumir a liderança como integrador e criador de relações entre áreas de conhecimento, garantindo assim, para as organizações um importante papel na busca incessante por diferenciais competitivos.
Marcelo Castilho é designer, professor da Sustentare Escola de Negócios e especialista em inovação.
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