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23/11/2009

Outubro: US$ 50 milhões a menos.


Somente em outubro o saldo positivo da balança comercial de Joinville caiu 50 milhões de dólares. É um sinal claro dos novos tempos da economia mundial. O dólar está ficando em segundo plano. Outras moedas estão se valorizando, inclusive o real, e com isso, os custos para se produzir no Brasil e exportar são cada vez mais altos.
A outra mão da história é que importar está muito mais atrativo. Por isso, possivelmente Joinville, maior cidade do Estado e pólo industrial reconhecido nacionalmente, fechará 2009 com um saldo (ainda) positivo, mas 30 a 40% menor que em 2008, ou 40 a 45% menor que em 2007.
Possivelmente, a cidade atingirá um superávit de 600 milhões de dólares, contra 943 milhões de 2008 ou 1,05 bilhão em 2007. Os dados fazem parte do relatório sobre a balança comercial de estados e municípios divulgado esta semana pelo Ministério de Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior.
O relatório é uma fonte interessante para conhecer, analisar e planejar o futuro da economia da cidade. A base das exportações de Joinville são os insumos industriais, com quase 40% do total. Porém, no geral, de janeiro a outubro as exportações caíram quase 27% quando comparado a igual período de 2008, de 1,5 bilhão de dólares para 1,1 bilhão de dólares.
É relevante pensarmos também que a China vendeu nestes 10 primeiros meses do ano mais para Santa Catarina que os outros oito maiores exportadores (pela ordem Alemanha, Estados Unidos, Argentina, Itália, Chile, Japão, Coréia do Sul e Taiwan) juntos. Temos uma nova configuração econômica e é pouco provável que ela venha a sofrer alterações bruscas no decorrer da próxima década. Por gerações, a China se preparou para ocupar esta posição e não há de perdê-la tão fácil.
Por isso, dificilmente teremos melhoras significativas na balança comercial de Joinville. Alguns fatores, como a pressão global para que a China permita uma pequena flutuação do câmbio ou a retomada das vendas de produtos como motocompressores e congeladores podem ajudar a aumentar o superávit.
Mas, como profissional de comércio exterior, acredito que a solução passa mais ao largo. O Brasil, como um todo, ainda está bastante míope para entender as mudanças estruturais que ocorrerão no mundo ao longo dos últimos 20 anos. O novo horizonte permite alimentarmos com clareza, duas situações básicas: fortalecer nosso mercado interno é essencial para criarmos uma crescente demanda e fomentar operações mais sofisticadas de comércio exterior, como o drawback – que é a importação com benefícios fiscais de produtos destinados ao processamento e industrialização para a exportação.
Estou absolutamente de acordo com o ex-ministro Marcus Vinicius Pratini de Moraes, que, durante encontro na Fiesc, em Florianópolis, pediu por melhorias radicais em nossa estrutura de transporte e em medidas que agreguem valor aos produtos e que criem marcas fortes no exterior. Em se tratando de comércio exterior, ainda precisamos de mais foco e profissionalismo.

Alexandre Schaefer, diretor da Komport e especialista em Comércio Exterior.



 

 
 
   
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