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27/10/2009 |
Tempo parcialmente nublado.
Carlos Peres é sócio da PricewaterhouseCoopers
Após o feriadão de Finados, na quarta-feira 4, os catarinenses têm um encontro com a face mais translúcida de sua economia. Na Associação Empresarial de Joinville (Acij), após a palestra de Jorge Gerdau Johannpeter, serão conhecidas as maiores empresas do Estado, com base no Valor Ponderado de Grandeza (VPG), que leva em conta, o patrimônio líquido (peso de 50%), receita bruta (40%) e lucro (10%). Mas, que face é essa?
Basicamente, o levantamento que consta na edição de Grandes&Líderes, da revista Amanhã, ranking elaborado com o respaldo técnico da PricewaterhouseCoopers, mostra que a economia catarinense continua dependente do setor alimentício. Três grupos empresariais deste setor respondem por mais da metade do faturamento das 100 maiores empresas do Estado.
Significa ainda que os catarinenses têm um caminho promissor pela frente, mas têm também muitos desafios. O lado promissor é que a indústria alimentícia, já consolidada, é um player global que deverá, necessariamente exercitar seus músculos em operações de expansão e conquista de novos mercados e a manutenção de outros onde já está.
Junto com essa liderança existe a necessidade de estimular os setores que orbitam a cadeia de prestação serviços para as agroindústrias. É possível criar um ciclo sustentável de crescimento com o estímulo a segmentos específicos, fato que, se realizado, é positivo para todos, pois diversificará, ainda mais, a vocação econômica de Santa Catarina.
Os números de 2008, que serão apresentados quarta-feira, mostram que, de fato, as indústrias do Estado saíram-se muito bem da crise global e a tragédia climática no Vale do Itajaí, que afetou a infraestrutura, o transporte e as exportações.
Por mais que 2008 tenha sido o ano do início da crise americana, ele não chegou a provocar grandes sobressaltos nos balanços. A receita das 100 maiores empresas de Santa Catarina cresceu 23% ano passado, porém a margem de lucro sobre a receita líquida ficou apenas a um terço da registrada em 2007. E a explicação para isto é simples: o tempo ficou totalmente nublado.
Os números são uma fotografia feita com exatidão daquele momento: houve expansão nas vendas, mas os lucros caíram porque foi necessário cortar custos e reduzir preços para manter a posição em mercados duramente conquistados.
As empresas estão, desde meados deste ano, entrando em uma nova fase e as contratações de mão-de-obra já demonstram a recuperação. Elas precisam voltar a tomar fôlego para crescer e recuperar os lucros. Por isso, o tempo ainda é parcialmente nublado para Santa Catarina.
O balanço deste ano já demonstrará um pequeno aumento da margem de lucro, fato que vem ocorrendo nos três trimestres anteriores. Porém em 2010 as indústrias precisam continuar a recuperar as margens para ganhar fôlego para outro período de forte crescimento. O Brasil, por ter saído mais cedo da crise global, está na frente. É preciso, no entanto, manter essa liderança com uma gestão comprometida com resultados e com maiores investimentos em infraestrutura e na capacitação de nossa mão-de-obra. Aí, a previsão será de sol, sem nuvens.
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