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07/05/2009

Retomada Inesperada


No início da semana passada, a moeda americana fechou em R$ 2,13 (chegando a R$ 2,11 no meio do dia). O volume financeiro movimentado na Bolsa de Valores de São Paulo superou mais uma vez os R$ 7 bilhões diários. Ultrapassou a barreira dos 50.000 pontos. Isto quer dizer que a crise acabou? O crescimento voltou? O país está a salvo e de volta ao crescimento econômico?
Quiçá fosse tão simples. Entretanto, o cenário formado em pouco mais de duas semanas surpreende até os mais otimistas. O momento é de revisões das projeções em todos os níveis. Indicadores mundiais sinalizam efeitos colaterais mais amenos. Estados Unidos têm a recuperação gradual do setor imobiliário. Os bancos apresentaram lucros acima do esperado em seus balanços trimestrais. O consumo interno superou expectativas afastando a preocupação de deflação. O desemprego diminui pelas oportunidades que o mercado já oferece para contratações. Ainda com cautela, é notório que a maior potência mundial se restabelece.
Na Europa o ritmo é mais lento. Mesmo assim, em menor escala demonstra os mesmo sinais.
De volta ao Brasil, as ondas grandes esperadas não vieram. As marolas foram maiores do que disse o Presidente da República. Mas convive-se com um fato novo. A crise arrefeceu abruptamente. Melhor do que Estados Unidos e a União Européia a economia nacional confirma sua base e firma o caminho sólido para recuperação. A balança comercial já acumula saldo recorde em superávit embalada por um volume de exportações para a China jamais visto. Especialista em commodities o Brasil sentiu a força de uma economia gigantesca que cresce em níveis superiores a 6 % ao ano (PIB) e que vem comprando tudo que pode para alimentar este motor que acelera e se distancia do resto do mundo.
A soja, a celulose, os minérios de ferro e o petróleo encabeçam a lista dos produtos mais vendidos à China pelo Brasil. Em análise geral, sabe-se que esta demanda não permanecerá nestes patamares. Por outro lado, também não é sabido com precisão o tempo que levará para o gráfico representativo do volume de compras começar a declinar.
A China veio pra ficar. Iniciou sua vertente de profissionalização com mão de obra extremamente barata focando na imitação (cópia minuciosa) de tecnologias do primeiro mundo. Com quase 1,5 bilhões de habitantes, passou a chamar a atenção na capacidade imensurável de produção em escala a baixo custo. Em pouco mais de uma década, gerou uma interdependência mundial em relação aos seus produtos. Vista como uma nação agressiva marcada pela violência e injustiças sociais presentes em todas as suas dinastias, a China trouxe pra si a marca de maior exportador do mundo.
E passou a ser notícia de destaque nacional a perspectiva contrária comprovada, onde esta mesma China mostra seu poder de compra, como importador e consumidor.
Para alguém (China) que em toda sua trajetória concebeu e ratificou o título de produtor mundial quase auto suficiente desconcerta ao aparecer de outra forma. O outro lado.
Com uma população que vem aumentando sua renda e conseqüente poder de compra, a China seguirá uma tendência muito conhecida no mercado mundial. Possivelmente nunca deixará de estar entre os maiores produtores de bens de consumo e insumos do mundo, mas terá que rever seus custos a medida que a renda per capita aumenta.
O fato é que o Brasil aproveitou bem o câmbio mais favorável às exportações com maestria. Inevitavelmente o volume de importações sofreu uma redução (muito menor do que o esperado). Agora cabe ao País permanecer no trilho, botar mais lenha na locomotiva e ver a tempestade ficar pra trás. Com certeza para gerações que passaram por outras crises, fica evidente um novo ciclo, uma nova realidade. Tudo sobre uma nova base que sustenta vulnerabilidades menores e um capitalismo funcional.



 

 
 
   
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