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20/04/2009 |
Visão pós-crise
Carlos Peres*
A forte queda nas vendas das maiores empresas de SC, no primeiro trimestre deste ano, conforme divulgado por este jornal (quase 10% a menos em comparação com igual período de 2008), traz, em si, um questionamento para todos os líderes empresariais: como realizar o equilíbro da gestão entre decisões de curto prazo e a sustentabilidade dos negócios em longo prazo?
Todos os anos, PricewaterhouseCoopers realiza uma sondagem global entre os CEOs de empresas de grande porte e dela extrai uma amostra das respostas dos líderes sul-americanos que resulta na Pesquisa Anual de CEOs da América do Sul. A 6ª edição, com entrevistas de cerca de 200 líderes empresariais, acaba de sair do forno e foi realizada em meio a uma crise sem precedentes.
Embora exista a inevitável, e porque não, inexorável tarefa de solucionar problemas urgentes em curto-prazo, a visão de longo prazo é um imperativo que não pode ser ignorado. A partir desta pesquisa, é possível perceber a visão dos líderes da América do Sul e produzir diversos insights que podem ser usados em qualquer empresa de Santa Catarina.
É importante notar que os CEOs acreditam que o crescimento se dará pela expansão em mercados nos quais já atuam. Não há condições ou disposição para desenvolver novos produtos ou explorar outros mercados. Empresas do Sul, profundamente ramificadas pelo mercado do País e do mundo, podem se beneficiar desta tendência, apontada na pesquisa, e expandir sua participação.
Os CEOs sul-americanos são quase unânimes ao elencar os aspectos fundamentais para a sustentabilidade dos negócios: capacidade de atrair e desenvolver talentos, qualidade dos serviços e produtos e capacidade para fazer mudanças sempre que necessário. Mais de 93% apontam estes aspectos. Adicionalmente, eles dão mais importância à inteligência de mercado e inovação tecnológica do que seus pares de outras regiões do mundo. Isso, provavelmente, decorre do fato de o nível de inovação ainda ser muito baixo na região, o que indica uma oportunidade para o futuro.
Neste novo cenário, descortinado a partir da crise dos mercados, os CEOs estão mais atentos a joint-ventures ou alianças estratégicas para viabilizar a expansão de negócios. A mudança de percepção certamente reflete as limitações de acesso aos mercados e às fontes de financiamento e às restrições ao crédito impostas pela crise global.
A regulação é um dos principais tópicos de interesse e de preocupação entre os líderes. Eles afirmam ter ciência da necessidade de colaborar com os governos para endereçar problemas sistêmicos, no entanto, 91% deles credita o baixo índice de investimento na região à complexidade e à instabilidade dos sistemas tributários dos países.
Para alinhar os negócios a ações que visem reduzir ou eliminar os efeitos das mudanças climáticas, os CEOs afirmam que é necessário o estabelecimento de um marco regulatório claro e consistente, a adoção de um sistema que incentive ou premie os projetos de longo-prazo que contenham medidas neste sentido e maior equilíbrio entre incentivos e limitações por meio de regulação e impostos.
A previsibilidade e a consistência da política econômica, melhorias na infraestrutura e no nível de educação da força de trabalho, maior transparência, menos burocracia e regulação são os aspectos-chave, na opinião dos CEOs, que devem ser endereçados para acelerar o desenvolvimento de negócios sustentáveis na região. Esses temas são consistentemente mencionados por, pelo menos, 80% dos líderes entrevistados nas últimas quatro edições da pesquisa de CEOs sul-americanos.
* Carlos Peres é sócio da PricewaterhouseCoopers - Brasil.
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