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01/02/2009

China: terceira maior economia em plena crise mundial


Recentemente fomos surpreendidos pela notícia de que o governo chinês reviu seu Produto Interno Bruto (PIB) para US$ 3,76 trilhões para o ano de 2007, ultrapassando a Alemanha, que contabiliza algo em torno de US$ 3,32 trilhões, e se despontando como a terceira maior economia mundial. O que mais chama a atenção é que rapidamente a China se aproxima do seu vizinho Japão, que apresenta um PIB da ordem de US$ 4,38 trilhões para 2007, e assim considerada a segunda maior economia do mundo.
Com base nestes dados e considerando as projeções de crescimento do PIB para 2009, apresentadas pela revista The Economist, a economia chinesa deverá crescer 7,5% contra uma perspectiva de crescimento negativo da economia japonesa da ordem de 0,9%. A se manter este cenário ao longo dos próximos anos, em 2010 a China poderá estar ultrapassando o Japão em termos de produção em menos de dois anos. Isto significa dizer que a China será a segunda maior economia mundial?
Em termos de capacidade de produção de bens e serviços para o consumo das famílias, sem dúvida alguma. Mas não podemos generalizar isto para uma condição de segunda maior e melhor economia mundial. Em termos qualitativos ela ainda está distante dos padrões considerados característicos de uma economia industrializada ou desenvolvida, que normalmente é medida através da renda média da sociedade, ou da capacidade de consumo do indivíduo com base na sua renda.
De uma forma bem simples podemos dizer que uma sociedade produz bens e serviços para atender o consumo de sua população, e que ela deverá ter uma renda suficiente para poder adquirir o que essas empresas produzem. Dessa forma a renda dessa sociedade deve ser o suficiente para adquirir os bens e serviços para satisfazer suas necessidades e desejos. Então se considerarmos que a China tem uma população de 1,3 bilhão de pessoas, essa economia estará produzindo bens e serviços num montante de US$ 2.892 por habitante por ano que, por conseqüência, poderá ser adquirida por ele em um ano. Já no caso do Japão, com uma população de 127 milhões, a sua produção representa algo em torno de US$ 33.500 por habitante ano.
Comparando-se os dois dados, podemos verificar que a capacidade do cidadão japonês em satisfazer suas necessidades e desejos é muito maior que a do cidadão chinês. E o brasileiro neste contexto? Se o nosso PIB estiver em torno de US$ 1,31 trilhão, e considerando uma população de 196 milhões de habitantes, chegamos a uma produção por habitante da ordem de US$6.684, ou seja, superior ao de um chinês. Em outras palavras podemos dizer que a nossa condição de vida, qualitativamente falando, e na média, é melhor do que a da população da China, na média.
Em resumo, apesar da China nos próximos anos poder atingir a posição de segunda maior economia mundial, não significa que qualitativamente também esteja nessa condição. Neste caso, qualitativamente, significa dizer uma economia funcionando em condições democráticas ideais, justiça social e infra-estrutura adequada para suportar este nível de crescimento. A propósito, estes são os quesitos que representam o grande desafio da China neste século XXI. Otto Nogami é professor do IBMEC São Paulo e do INPG/Sustentare


 

 
 
   
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