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25/07/2010

Empresas familiares e a Governança Corporativa


Amanhã, Florianópolis receberá o Encontro de Empresas Familiares. É um evento importante para debater o futuro dessas organizações que são um dos pilares da economia do País. Apesar do intenso movimento de fusões e aquisições registrado nos últimos anos e da entrada voraz de players globais no mercado nacional, empresas tradicionais e familiares se mantém como líderes de diversos setores essenciais da economia.

No Sul, apesar da internacionalização de diversas companhias, em particular as de agronegócios, esse cenário é bastante evidente. Empresas familiares são vitais para a economia da região. Cuidar da saúde financeira dessas organizações e projetar as bases para um futuro promissor é fundamental também para entender como será o perfil de nossa economia nos próximos anos.

Ao longo da sua existência as empresas familiares adotaram uma série de mecanismos para sobreviverem. Ao se profissionalizarem miraram tendências de mercado para construir sistemas de gestão mais enxutos, eficientes e com longa vida. Foi fundamental para isso o estreitamento do relacionamento com o mercado de capitais e demais stakeholders.

Buscar essa comunicação eficaz com os diversos grupos de interesse e investidores para uma companhia familiar é bastante difícil. O processo é complicado e por vezes esbarra na dificuldade dos donos – fundadores ou herdeiros diretos – em compartilhar informações com funcionários e mercado.

Por isso, a governança corporativa é um tema dos mais importantes para a prosperidade e longa vida das empresas familiares. Governança corporativa é um conjunto de processos – que podem ser criados por regulamento interno – sobre como a empresa deve ser dirigida, parâmetros de transparência e critérios de comunicação com seus principais pares – investidores, funcionários, clientes, fornecedores, credores, mídia, etc.

Em geral, a boa governança corporativa ou ainda, a governança corporativa que se traduz em resultados tangíveis para as empresas, é aquele que vai além de uma regulamentação. Claro, é fundamental existirem parâmetros estabelecidos e que todos tenham acesso, porém, essencial é que a governança corporativa seja compreendida, defendida e praticada por todos. Uma empresa, familiar ou não, consegue bons níveis de transparência e de governança corporativa quando seus sócios e funcionários a praticam diariamente.

A governança corporativa só funciona quando o exemplo vem dos acionistas. Além disso, o board da empresa precisa estar 100% comprometido com o processo. É importante ter metas, conhecer os pontos de conflito e os resultados desejados. Em empresas familiares ou de origem familiar essas discussões precisam ser redobradas para ter o comprometimento de todos os herdeiros. Ou seja, governança corporativa não é grife, não é um selo de qualidade, não é um parâmetro de marketing. É um comportamento que, quando bem feito e internalizado, é compreendido e reconhecido pela sociedade.

Carlos Peres é sócio da PricewaterhouseCoopers


 

 
 
   
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