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11/07/2010 |
Interesses alcançados? Por Gunther Rudzit
O Brasil está em destaque no mundo hoje em dia, principalmente do ponto de vista econômico, se tornando uma das economias que mais crescerão esse ano. Com isso o investimento estrangeiro no país cresceu de forma expressiva, assim como o investimento de empresas brasileiras no exterior.
Nossas exportações também cresceram, tanto em valor quanto para países que antes não tínhamos trocas comerciais significativas. Assim, nossa economia tem se tornado cada vez mais internacionalizada, o que oferece grandes oportunidades de negócios, mas também de sofrer reflexos de crises econômicas internacionais.
Todos os países que passaram por esse processo de rápido crescimento econômico acabaram sendo reconhecidos como grandes potências. Como exemplos temos Alemanha, Japão e China. Ter grandes aparatos militares não é uma condição necessária para ser reconhecido com grande potência, como são os casos japonês e alemão.
De qualquer forma, pode-se dizer que as grandes potências têm capacidade de influenciar sobre outros governos e em decisões nos organismos internacionais. Mas, para tanto, é necessário que as lideranças políticas desses países tenham a capacidade de mobilizar os recursos que disponham, e, principalmente, tenham a habilidade de aplicá-los.
Infelizmente, esse não parece ser o caso das atuais lideranças políticas brasileiras.
A nossa diplomacia, capitaneada pelo Itamaraty, decidiu aumentar o número de embaixadas brasileiras no mundo, a fim de, oficialmente, dar respaldo ao crescimento dos interesses econômicos nacionais em escala global. Por isso, desde 2003, foram abertas trinta e cinco novas legações, sendo que, só na África, foram quinze.
Assim, agora temos postos permanentes no nosso hemisfério, como Antígua e Barbuda, Dominica, São Cristóvão e Névis, e São Vicente e Granadinas. Também estamos representados no Cazaquistão, Azerbaijão, e até na Coréia do Norte.
O Brasil conta hoje com representações em cento e cinqüenta e um países, ou seja, praticamente três quartos dos Estados reconhecidos junto às Nações Unidas. Portanto, um grande investimento, já que, para ter essa escala o Ministério das Relações Exteriores conseguiu aumentar o seu quadro de diplomatas, passando de ao redor de mil em 2005, para aproximadamente mil e quatrocentos esse ano.
Mas a pergunta que fica é se o Itamaraty conseguiu alcançar os grandes objetivos colocados por este governo.
Afirma-se que se conseguiu uma projeção maior do Brasil, com a criação da UNASUL, da CALC, Cúpulas da América do Sul com países árabes e africanos, Fórum do IBAS com Índia e África do Sul, coordenação política no G-20 da OMC, Cúpulas dos BRIC, e mais recentemente, Cúpulas do G-20 financeiro.
Os resultados podem ser visto nos seguintes casos. O Brasil tentou eleger seus candidatos para algumas organizações internacionais, como à direção-geral da Organização Mundial do Comércio (OMC) e à presidência do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID). Nas duas ocasiões não recebemos apoios, nem dos países próximos, nem dos que tiveram novas embaixadas, como no caso dos africanos.
Na negociação da Rodada Doha de liberalização comercial agrícola, dentro da OMC, nós aceitamos o acordo proposto pelos países desenvolvidos, mas índia e China foram contra. Isso sem contar que Argentina e Venezuela já haviam se pronunciado contra.
Depois de anunciar o acordo nuclear com o Irã, o governo brasileiro teve que ver novas sanções impostas a esse país pelo Conselho de Segurança, com votos dos dois “aliados” dos BRIC, a Rússia e a China, assim como de governos africanos e latino americanos.
O último caso foi no G-20 financeiro, quando o Brasil defendeu a manutenção das medidas de relaxamento do controle fiscal dos governos, mas, no final, com apoio americano, a visão europeia de um ajuste fiscal prevaleceu.
Sem dúvida alguma o Brasil mudou de patamar, e hoje é reconhecido por ter uma grande e crescente economia. Mas, em Brasília, não se conseguiu ter a habilidade de transformar essa nova realidade em resultados concretos em defesa dos interesses nacionais.
*Gunther Rudzit é Doutor em Ciência Política pela USP e professor da Sustentare Escola de Negócios
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