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04/07/2010 |
Recuperação mundial amplia perspectiva para exportações de SC
A recuperação da economia mundial melhora as perspectivas para exportações de produtos catarinenses. Isto, pelo menos, é o que esperam as indústrias do Estado. A informação consta de uma pesquisa que acabou de ser divulgada pela Federação das Indústrias de Santa Catarina (Fiesc).
Os números são animadores: 64% das empresas acreditam em crescimento nas vendas externas. E 29% delas sustentam que a alta será de até 10% em comparação com 2009. Apesar da tendência positiva, chama a atenção o percentual de empresários que projetam estabilidade - 25% - e os que estima queda - 11% - nas exportações de 2010 comparadas as de 2009.
A recuperação global é, sem dúvida, o principal motivo para esta visão otimista. Em linha com essa razão, está ainda o maior nível de confiança dos clientes externos. O trabalho dos empresários catarinenses também tem forte efeito nesses números. Uma parte da recuperação das exportações se deve a prospecções de novos mercados e a conseqüente expansão da carteira de clientes. Também é importante ressaltar o trabalho de modernização do parque fabril do Estado para que consiga competir com seus pares internacionais.
Porém, otimismo de lado, o fato é que a fatia ocupada pelas exportações no faturamento global das empresas de Santa Catarina está caindo. E a tendência é continuar assim ao longo da próxima década. Dificilmente voltaremos aos patamares da década passada ou anos 90 quando nosso superávit comercial era expressivo.
É isso que indica também a pesquisa da Fiesc. Para 49% das empresas pesquisadas, o mercado externo representará menos de 10% do faturamento total. É uma informação importante e preocupante. Não é possível abrir mão de um espaço conquistado com muito trabalho ao longo de décadas.
A situação é delicada. A redução da participação nas exportações é sinal claro de que as indústrias de Santa Catarina não conseguem competir em pé de igualdade nos mercados mundiais. Os nossos concorrentes, em geral, têm uma carga tributária menor, menores custos de logística fábrica-porto, malha de transportes de qualidade superior, mão-de-obra mais barata e menos burocracia e encargos trabalhistas.
O modelo atual de incentivo às exportações também não atende as necessidades dos industriais. De acordo com a pesquisa, para 65% das empresas, esse modelo não atende as necessidades e expectativas. A política cambial ainda é citada como entrave maior neste momento, seguido de custos elevados de produção, inadequada infraestrutura logística e de transporte dos embarques.
Abandonar mercados conquistados ao longo dos anos é problemático. A concorrência é muito acirrada e dificilmente conseguiremos retomar esses clientes, agora abandonados. Portanto, apesar de ser uma decisão difícil, ainda é melhor pensar estrategicamente e manter as posições lá fora.
Alexandre Schaefer é diretor da komport – www.komport.com.br
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