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16/04/2010 |
A nova cara do varejo
O ano começou com forte impulso na operações de fusões e aquisições. O trimestre encerrado em março apresentou 174 transações, que é 49% a mais que o registro do mesmo período de 2009.
É também o maior número dos últimos três anos. Este indicador está em linha com as tendências para a economia neste ano. Os mercados estão aquecidos e com forte tendência a negociações de aquisição, fusão ou joint venture.
O capital nacional ainda é predominante. Neste primeiro trimestre, o capital nacional representou 68% das operações de compra de participação (controladora ou minoritária).
Este movimento também é consequência da recuperação mais acelerada do mercado brasileiro. O aquecimento nas operações de fusões e aquisições (F&A), demonstra a estruturação das empresas nacionais para competirem dentro e fora do País com concorrentes externos.
No período, graças a operação de fusão de duas grandes redes de varejo, o setor, junto com TI, liderou as negociações com 18%. O varejo brasileiro está em processo de consolidação, que terminará com a formação de grandes players nacionais.
É uma consequência natural do aumento do mercado de consumo, em particular para as classes C e D em razão da facilidade de crédito, aumento do poder aquisitivo e estabilidade econômica. Um processo similar também ocorre nos grandes países emergentes.
É importante notar que as médias e pequenas redes de varejo terão que buscar alternativas para sobreviver neste novo cenário. Um cenário que é mais competitivo e com tomadas de decisões mais rápidas.
Esta consolidação no varejo já está ocorrendo há algum tempo, mas tornou-se evidente de meados do ano passado para cá. Um relatório da PricewaterhouseCoopers indica que as operações de F&A no primeiro bimestre de 2010 foi igual ao número de negociações realizadas em 2008 e supera o de 2007 – o ano que bateu os recordes históricos em fusões e aquisições no País.
A criação de grandes grupos, seja do varejo ou de outro setor, mexe com a vida de todos. De consumidores a funcionários, passando pela imensa cadeia de fornecedores e prestadores de serviços. Não há retorno possível. O mercado precisa se acomodar com esses novos gigantes e aprender a conviver com eles.
A tendência é de novas negociações durante o ano, porém envolvendo redes menores, preferencialmente as de médio porte. Existem dois horizontes possíveis. Podemos assistir a aquisição estratégica e pontual de redes locais pelas novas gigantes do varejo para expandir as bandeiras para regiões ainda não atendidas e depois usar a capacidade de escala para reduzir preços de produtos e ganhar mais participação.
A outra alternativa é a formação de fortes redes regionais. Para isso será preciso encontrar a sinergia entre empresas de diferentes formatos, com padrões gerencias distintos. Porém, elas tem a melhor motivação possível para fazerem esse movimento de união: a sobrevivência.
Por Carlos Peres, sócio da PricewaterhouseCoopers
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