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14/03/2010 |
BRASIL X EUA - Por Alexandre Schaefer
Depois de oito anos de litígios na Organização Mundial do Comércio (OMC), finalmente o Brasil recebeu sinal verde para retaliar as importações dos Estados Unidos com elevação de tarifas para importação. Certamente é uma decisão importante para o comércio internacional, mas que não deve ser analisada como nacionalismo míope que poderia ocultar nuances essenciais.
A OMC concluiu depois de longas investigações que os subsídios para os produtores de algodão americanos supostamente para protegê-los das flutuações dos preços eram ilegais e feriam a competitividade internacional.
Na lista de produtos a serem retaliados divulgada esta semana pelo governo brasileiro estão metanol, paracetamol, produtos de beleza, leitores de códigos de barras, fones de ouvido, óculos de sol e veículos.
As medidas entrarão em vigor dentro de 30 dias após a data da publicação, ou seja, em 7 de abril. É nesse período que assistiremos a um jogo de xadrez entre os dois governos. O lado americano é bastante complicado. Dificilmente governos de países desenvolvidos, apesar dos discursos, retiram os subsídios a seus agricultores. Temem, como qualquer governo no mundo, a impopularidade da medida.
As retaliações que o Brasil tem direito somam 560 milhões de dólares. Uma das possibilidades mais inteligentes de negociar esta retaliação é solicitar a transferência de tecnologia – até o valor total determinado pela OMC – ou definir patentes e royalties americanos que podem sofrer sanções. Desta forma ao invés de focarmos nossa retaliação no curto prazo, estamos pensando no futuro, adquirindo tecnologia e know how para agregarmos valor a nossas exportações, reduzir nossos custos de produção ou aumentar a produtividade de nossa agroindústria.
O problema deste tipo de retaliação, em qualquer nível, é que interfere na liberalização do comércio internacional e quanto mais ingerência dos governos, mais engessado torna-se o fluxo de mercadorias, serviços e pessoas.
Fato é que a decisão da OMC deveria servir como sinalizador para a liberalização do comércio mundial. Porém, dúvidas pairam no ar quanto aos prazos para isto ocorrer. A própria demora da OMC em chegar a uma decisão final em oito longos anos já é negativa.
Os produtores de algodão brasileiros disputaram durante oito anos o mercado com produtores americanos que recebiam subsídios cruzados. Neste período, aqueles que conseguiram sobreviver viram seu mercado externo e interno encolher sensivelmente.
A outra notícia da semana foi o resultado da balança comercial do País. Em fevereiro as exportações foram 24,69% maiores que em janeiro. Os Estados Unidos são o principal destino das exportações de Santa Catarina neste primeiro bimestre.
Porém, com o real fortalecido, a locomotiva China continua absoluta como principal vendedora de produtos para Santa Catarina somando no primeiro bimestre 404 milhões de dólares, mais que o dobro do segundo colocado, o Chile com 196 milhões.
Aqui, nada de novo. O problemático é que em 2010 a balança comercial de Santa Catarina deve ter o pior saldo da década. Ano passado, o déficit – diferença entre exportações e importações – foi de 855 milhões de dólares. Ou seja, compramos mais do que vendemos. Este ano, somente em dois meses, o saldo já negativo em é 652 milhões.
É provável que antes mesmo do final do primeiro semestre a balança comercial de Santa Catarina esteja com mais de um bilhão de dólares de déficit. Um novo cenário para o Estado, sempre acostumado a grandes superávits. Para mudar esta tendência somente investimentos expressivos (larga escala) em tecnologia, infraestrutura, redução de custos trabalhistas e políticas públicas para favorecimento das exportações.
Alexandre Schaefer é diretor da Komport – www.komport.com.br
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