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17/01/2010

Importações para o varejo e a estabilidade da balança


A forte depreciação do dólar diante do real tem proporcionado mudanças consistentes na estrutura do comércio exterior do Brasil. Santa Catarina, com um parque industrial diversificado e consumidores com razoável poder aquisitivo, está no centro desses novos paradigmas do comércio global. Desde o ano passado novos players optaram por importar mercadorias ao invés de fabricá-las no Brasil.
É uma decisão complexa, fruto de uma análise fria que reconhece bem os custos de produção no País e as reais possibilidades de competição com concorrentes globais. São concorrentes que, em sua maioria, tem operações fabris na Ásia, em particular, na China, e que com isso tem possibilidas reais de entrar em nosso mercado com preços bem mais baixos
Ou seja, importar ou não, deixou de ser uma alternativa para tornar-se uma imposição. Com nossa estrutura tributária e trabalhista não existem meios práticos para competir com produtos fabricados na China. Minha experiência como trader de comércio exterior mostra que em alguns casos como confecções mais sofisticadas e vestuário, a diferença de preço final entre o produto feito no Brasil e o importado chega a 50%. Imagine a possibilidade de importar duas camisetas pelo preço de uma feita aqui. Considere o impacto que esta estrutura de custos causa no mercado.
A novidade que começou a ganhar força como alternativa para ofertar produtos com preços mais competitivos é a entrada de médios e grandes varejistas nesse mercado. Gigantes do varejo já realizam operações de importação direta. Esta nova relação entre fornecedores e compradores muda radicalmente as bases comerciais. É um fenômeno novo que estimula o perfil empreendedor e que deve ajudar a equilibrar a balança comercial do Brasil. Outro exemplo, nunca como no ano passado, houve tantas operações de importação direta de veículos de luxo, por empresários de Santa Catarina. É um sinal claro dos novos tempos do comércio exterior.
Por isso, é provável que depois de anos de superávit, a balança finalmente encontre o equilíbrio entre importações e exportações. Em alguns setores, as importações mais que dobrarão neste ano. As exportações devem crescer em níveis bem menores, ancoradas pelas commodities. As novas projeções indocam que as tarifas vão ser reduzidas em níveis muito pequenos, mas nada indica que voltarão aos patamares absurdamente baixos do período de crise mundial, o que irá favorecer ainda mais o setor.
A recuperação da economia mundial e, em especial, o grande momento que o Brasil está passando, são fatores importantes para o otimismo. O cenário que há poucos meses se mostrava turbulento agora apresenta estabilidade, reflexo da solidez das bases econômicas. O dólar e a taxa de juros devem subir no decorrer de 2010 de forma moderada, por isso o grande desafio continuará nas mãos dos exportadores.

Alexandre Schaefer é diretor da komport – www.komport.com.br



 

 
 
   
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