| |
01/08/2008 |
Entendendo a Crise do Mercado Financeiro Mundial: Vulnerabilidades e Riscos
Ao observarmos o mundo nas últimas décadas, notaremos que ele passou por transformações profundas: vivemos a revolução das comunicações (podemos conversar com qualquer indivíduo, em qualquer parte do mundo, instantaneamente através da internet a custos próximos a zero), uma rápida evolução tecnológica que levou a um aumento significativo da produtividade marginal do capital e da mão-de-obra que, por conseqüência, reduziu drasticamente os custos de logística. Tudo isso acabou fazendo com que a relação entre os agentes econômicos, independentemente de sua nacionalidade, estivessem cada vez mais próximos, criando uma crescente interdependência.
Essa interdependência não se prende apenas à realização do comércio internacional de mercadorias, mas envolve também serviços, mobilidade dos recursos produtivos e, principalmente, de capitais, que representam a poupança formada nas mais diferentes economias. Caracteristicamente, os países que apresentam maiores rendas per-capita tendem a ser os de maior capacidade de formação de poupança.
Os gestores destes recursos, normalmente depositados em instituições financeiras, buscam a maior rentabilidade possível. Nesse sentido, de acordo com as suas avaliações de risco, tendem a buscar oportunidades em países, normalmente emergentes, que tendem a remunerar melhor o capital financeiro, pela sua necessidade de equilibrar suas reservas cambiais. Aqui temos, portanto, a interdependência dos países com relação ao capital estrangeiro.
Observando a forma como os fundos ou carteiras das instituições financeiras são administrados, temos a própria natureza de suas operações: captam recursos através dos ativos financeiros (CDB, RDB, letras de câmbio ou letras hipotecárias) para aplicarem em empréstimos, financiamentos de bens duráveis ou financiamento na aquisição de imóveis.
Tomando-se como exemplo uma carteira hipotecária, capta-se recursos através da colocação (e emissão) de letras hipotecárias, captando recursos, que serão destinados ao vendedor de um imóvel, e o mutuário terá um determinado prazo para pagar as amortizações e juros; temos aí uma operação casada. Entretanto, se um portador da letra hipotecária decidir resgatar sua aplicação antes do prazo de vencimento, a carteira não terá recursos livres para atender este saque. Assim, o gestor da carteira poderá lançar mão de algumas hipotecas e renegociar com outros gestores a sua venda. Nasce aí o que se chama mercado subprime.
Se por uma razão qualquer os mutuários deixam de honrar seus compromissos, esta atitude gera uma reação em cadeia que acaba comprometendo o fluxo de caixa das instituições financeiras envolvidas, que acaba abalando todo o mercado, potencializando o risco das instituições e, consequentemente, aumentando a incerteza com relação ao futuro. Desta forma, os mais avessos a riscos, diante da perspectiva de uma eventual crise, tendem a retirar seus recursos de economias mais vulneráveis, como o que representa um país emergente como o Brasil.
Otto Nogami
Economista, professor do IBMEC/SP e do INPG/ Sustentare Escola de Negócios
|
|
|
|
|
 |
|
|